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Histórias avulso

Vida nova

Novembro 21, 2017

Um mundo inteiro que para, só para te ver passar.
Há, meu amor, em ti, uma força igual à que impulsiona a terra a girar, o mar a encher e vazar, as estrelas e astros fazerem do céu um inteiro infinito, lindo, imparável, imprevisível. Como tu, metade boa da minha existência, quando me mostras que há muito mais além do que é visível.

 

O que é assim, assim deve ficar.

 

As raízes que me fixam à vida, à nossa vida, não são correntes que me impedem de voar. Sou um passarinho, meu amor. Um passarinho que escolheu ficar.

 

Do ventre fundo e profundo, emana uma dor carnal, bruta e fria. O corpo torce e, não parecendo, sabe o que faz. Mas a mente tem rédeas e há medo e susto e lágrimas e voz. Agarra, rasga, morde os lençóis. Ele olha-a em silêncio.

 

És um arco íris, sabias?
E eu sou nuvem que não sabe pingar.

 

E então o grito dela, o sorriso dele, e o choro pequenino e bonito que flui do seu ventre de finalmente mãe. Milagre antigo e valente que é o amor fazer vida.

Olham-no nos braços dela, pequeno e feroz, indefeso e infinito, o novo ser que encarna os seus corações, batendo, ali, descompassados, brutos, assustadoramente fora do peito.


E choram juntos, porque chorar é dor e amor.
Ele beija-a na testa. Ela fecha os olhos.

 

- É para sempre?
- És sim, meu bem. És para sempre.

 

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