Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Histórias avulso

Vénus

Maio 30, 2019

O reverso da moeda deste conto aqui.

 

Nesse dia, quando Inês acordou, tudo apontava para um dia como todos os outros. O despertador tocou às 6:45, e pelo canto do olho Inês viu os pequenos e densos fios de sol, impondo à força a entrada de luz na escuridão. Lá fora os cães do costume ladram, e a cabeça e a alma doem-lhe de forma doce e peganhenta. Ausência absoluta de novidade na eterna repetição dos dias.

Permanece naquele estado pouco consciente entre o sono e o despertar e é, subitamente, invadida por uma sensação vitoriosa de resolução. Abre os olhos finalmente consciente. De noite costuma ser invadida por uma lógica muito pouco lógica, mas que lhe ataca o raciocínio de forma grotesca, limitando-lhe todo e qualquer livre arbitrium nisto de pensar. É aleatoriamente conduzida por caminhos que não controla, não escolhe, não encontra. Passa, por isso, todas as noites numa luta inglória tentando focar o seu querer em cair no sono para encontrar nesgas de um estado de quase paz. Consegue, esporadicamente, e apenas por breves minutos.

Levanta-se da cama num salto e põe a mão debaixo da almofada, num misto de esperança e pânico de encontrar o que procura. Encontra, efetivamente. Com cuidado, desdobra a folha de papel e senta-se na beira da cama lendo-se no devaneio da insónia. Ali estava o seu plano, a sua resolução, a sua sentença. Bem estampada a tinta,

clara, simples, eficaz.

Respira fundo, bem fundo, e de olhos fechados diz para dentro movendo os lábios sem voz,

Adeus.

Inês decidira naquela noite que aquele seria o seu último dia viva. E a consciência da sua decisão efetiva-se agora no raiar do dia, sem as alucinações ilógicas que cavalga de noite.

Abre os olhos, entusiasmada pela força impulsionadora de uma decisão finalmente sua, pela sensação de ter alguma rédea nos caprichos da maré que a trouxera, sem o seu consentimento, do útero da mãe até aquele preciso hoje.

Levanta-se e abre as portadas das janelas libertando o sol para inundar o quarto.

Lá fora a primavera é feminina e fértil, faz ferver os sangues das folhas, dos cães, dos homens. O tempo morno desperta o calor do renascimento, desperta uma noção de vida que lhe parece um delicioso contraste à sua caligrafia prescrevendo-lhe a morte.

Inês, hoje encerras-te.

É, estranhamente, um desejo alegre que lhe flutua, nela que nunca foi nem particularmente alegre, nem particularmente triste. Nela que limitou a sua existência somente a isso: existir.

Antes de entrar no banho, Inês escreve no telemóvel:

"Surgiu um imprevisto e hoje não posso ir trabalhar. Estarei incontactável até amanhã."

Amanhã.

A água quente num corpo morno e mole do sono, lava-lhe o cansaço até à ultima partícula. As mãos, as pernas, os braços num abraço, toda ela inteira no momento em que cuida da carapaça onde mora. A ausência do amanhã encharca-a de esperança e liberdade, é no saber das últimas coisas que lhes encontra o verdadeiro sabor.

Veste-se com cuidado, ao contrário do que normalmente lhe ditava a igualdade dos dias, e escolhe o seu melhor vestido. Cintado, de saia rodada, fluido e fresco, com pequenas flores bordadas nas bainhas.

Seca e escova bem o longo e farto cabelo, deixa-o solto tombando-lhe nos ombros. Salienta as maçãs do rosto com um pó que nunca chegara sequer a abrir, e passa o batom por estrear há dois anos nos lábios.

Olhando-se no espelho é surpreendida pela imagem que o reflexo lhe devolve. Agradavelmente surpreendida. Sorri para si mesma, e sente no estômago o bater de asas de mil borboletas, como se todas tivessem decidido rasgar os seus casulos ao mesmo tempo.

Coloca na carteira as chaves e o telemóvel, não sem antes passar os olhos nas 4 chamadas não atendidas do escritório. Não abre nenhuma mensagem e sai de casa.

Guia sem pressa pela estrada, atenta a cada detalhe daquele dia que se dispôs particularmente imaculado e bonito. As andorinhas regressaram já há mais de um mês, e esvoaçam caindo a pique do céu. No limite das árvores ou do chão mudam rapidamente de direção, lançando-se inesperadamente ao azul. As árvores estão novamente vestidas com folhas suculentas e virgens no seu primeiro desabrochar. E não há transito, nem barulho, nem desordem, nem expectativa. São 9 da manhã e o deslumbramento do dia promete ser longo.

Para o carro em frente a casa do pai. A mesma casa toda uma vida, a cor amarelada do prédio, da porta da entrada, outrora verde, mas agora aguada, talvez pelas inúmeras mãos forçando-lhe a abertura desde sempre, limpando-a de qualquer alegria ou cor. Cá fora uma senhora de idade passeia um cão igualmente antigo. Observa-lhes as semelhanças e a atenção excessiva para com o animal, a voz mansinha ditando-lhe comandos,

- Quiqui, vá anda querida, quiqui, não lambas o chão, ai ai,

convicta que a entoação maternal conceder-lhe-á um outro estatuto maior e mais preenchente do que o de animal de estimação. Inês consegue sentir, por de trás da senhora, no pequeno descampado outrora coberto de silvas e amoras, a sua voz de menina chamando a mãe.

Oh mãe, mãe!…

As cores dessa memória quebram-lhe a energia, por isso Inês apaga-as saindo do carro.

Dirige-se à entrada do prédio e toca no 2º dto. A porta de baixo abre, e ela ouve lá em cima a voz rouca de Maria:

- Quem é?

- Sou eu, Dona Maria.

- Eu quem?

Eu quem…

- Eu, Inês, venho ver o pai.

Ouve a corrente ser retirada da porta, e pressente um vislumbre de irritação. Como se algum ladrão ou benfeitor quisesse, porventura, entrar naquele velho apartamento, cheio de bolor e tristeza encarcerando dois velhos que aguardam a morte um do outro.

Entra em casa e os olhos demoram algum tempo até se habituarem à penumbra daquela escuridão imposta pelos estores sempre semicerrados. O cheiro antigo a remédio, pretérito imperfeito e roupa húmida provoca-lhe uma náusea quase descontrolada, dando corpo a uma angústia miúda que lhe percorre em arrepio o corpo. Controla-se, e consegue aos poucos distinguir as formas das coisas. Olha Maria, ali de pé, olhando-a de volta, surpresa.

- Olá Maria.

A velha permanece imóvel, Inês vê que o queixo lhe treme, assustada e emocionada com a sua imagem de agora mulher.

- Oh menina. Que bom que veio. O seu paizinho, sabe, não está bem menina, não está bem.

- Bem sei Maria, há muitos anos que ele não está bem.

A velha senhora balbucia lamentos acenando tristemente com a cabeça.

- Posso vê-lo?

- Pode sim, menina, claro que pode. Mas não estranhe, menina, ele por vezes não diz coisa com coisa, está muito mal, menina, ai o seu paizinho está tão mal.

Inês assente sorrindo, contendo a vontade súbita de esbofetear a pobre velha, condenada por si mesma a nada decidir para além da espera.

Entra no quarto do pai, está mais escuro ainda que o resto da casa. Vê ao lado da cama uma bomba de oxigénio, urrando baixinho uma súplica inútil e insistente. Em cima da mesa de cabeceira estão pousadas sete caixas de medicamentos, talvez mais. O vulto do pai de baixo dos lençóis parece-lhe pequeno para a imagem do gigante que lhe mora na memória.

- Pai?

Aproxima-se da cama e é surpreendida pela figura raquítica de um velho pequenino e mirrado, estupidamente frágil, engolido num sono sem sonhos. Puxa uma cadeira e senta-se ao seu lado. Contrariamente ao que esperava, não sente medo, nem se quer raiva. Também não consegue sentir pena pela solidão impregnada nas paredes do quarto e da casa e da vida do pai.

- Vim para me despedir, pai.

O corpo permanece inerte, desmaiado e Inês sente latejar na garganta uma espécie de justiça divina acontecer-lhe diante dos olhos. A fraca a poder decidir morrer, o forte condenado a sobreviver.

- Já não o odeio, pai – diz-lhe em suspiro – Estanho isto… Sem ódio, que me resta sentir por si?

E por mim?

Sorri, dolorosamente feliz. Passa os dedos no rosto frio e enrugado do pai, e, mesmo antes de se levantar para se ir embora, sussurra-lhe:

- Mas queria que soubesse, antes da minha partida, que nunca lhe perdoei a morte da mãe.

O oxigénio urrando, as paredes escuras, a espera acumulando segundos, o corpo de um velho sem alma, sem nada. Inês baixa um pouco mais o tom de voz aproximando a boca do ouvido do pai:

- Nem tão pouco a aspereza das suas mãos por debaixo do meu vestido.

O silêncio explode naquele grito sussurrado, e Inês engole uma espécie de soluço que a ataca de forma violenta. O jamais dito proferido assim, liberta-a de uma persistente e longínqua sensação de culpa.

Levanta-se endireitando o vestido, vira as costas para sair do quarto, e, por de trás de si, Inês ouve como eco de um rugido de algum ontem,

- E onde vais mesmo assim vestida de puta?

Inês volta-se novamente para o pai, mas o corpo continua na mesma posição de antes. Aproxima-se e procura-lhe o olhar na penumbra do quarto. Os olhos estão fechados e a respiração mantem-se profunda e vazia.

Sai do quarto, passando por Maria que chora sentada no sofá.

Despede-se em andamento,

- Adeus Maria.

Antes de sair e fechar,

finalmente,

aquela porta, parece-lhe ouvir o soluçar do pai, desfeito em ossos e coração cuja penitência é bater.

Desce as escadas depressa, o vestido flutua no seu passo apressado. Inês sente-se bonita e leve e mulher.

Entra no carro, tira o papel da carteira e risca a frase: “Enfrentar pai.”

Mete primeira e arranca com as janelas do carro abertas para deixar entrar toda a luz daquele dia.

O estômago desperta-a, e Inês sente fome como se se tivesse esquecido da necessidade de comer toda a vida. Pensa rapidamente em sítios onde poderá almoçar. Ignora o saldo miserável da conta, e acaba por estacionar o carro em frente ao restaurante que desponta no fim de uma arriba. O mar imenso estoira em azul e sol, a água move-se unida numa enorme massa, fingindo que não é apenas um aglomerado de milhões de gotas. Inala fundo o cheiro salgado da maresia, e desponta-lhe na memória o primeiro mergulho que dava todos os anos no mar, antes de crescer cedo de mais e virar mulher amorfa e inerte.

Tira uma fotografia com o telemóvel à porta do restaurante, e envia por mensagem com o texto:

“Olá. Precisava de te fazer uma pergunta antes de me ir embora, consegues passar cá?”

Entra no restaurante, é recebida com cavalheirismo e requinte por um empregado impecavelmente fardado.

- Boa tarde, é para almoçar?

- Sim, por favor.

- Mesa para dois?

- Para já, uma - responde sorrindo.

- Com certeza, senhora.

Senhora.

O poder de um vestido bonito, de um decote generoso e de uma alma resolvida. Inês sente-se capaz de fazer rodar o mundo na ponta do indicador.

Senta-se na mesa encostada à grande portada de vidro. Lá em baixo o mar dança-lhe chamando-a sedutoramente. Inês observa demoradamente a generosidade da ementa, e escolhe para entrada ostras, e depois um robalo do mar com legumes salteados. A acompanhar um flute do melhor champanhe. Repara que é observada por vários homens enquanto almoça mas, ao contrário do expectável, não sente o desconforto que deveria sentir por estar num sitio como aquele, e sem companhia. Na verdade, aprecia o momento aproveitando cada garfada do almoço, cada golo no champanhe, cada olhar demorado que cada homem provavelmente casado lhe lança.

Quando termina a refeição, Pedro chega e senta-se à sua frente.

Olham-se eternos segundos antes de proferirem qualquer palavra.

- Estás muito bonita – diz-lhe, finalmente.

Pedro mantinha aquele olhar vago que tanto poderia dizer-lhe tudo, como rigorosamente nada. Inês sente um borbulhar ácido no estômago e, para o atenuar, termina o champanhe perguntando-lhe:

- Queres?

- Não posso demorar. A minha mulher está a minha espera.

- Claro que está.

Instala-se um silêncio profundo. Se quisessem, ouviriam o eco da ausência de vida em Marte naquele momento.

Mas Inês sente uma força que nunca sentira, ser senhora do seu destino dá-lhe coragem para abrir toda e qualquer porta. Não há consequências sem amanhã. Então, quebra ela o silêncio:

- Não quero tomar o teu tempo. Vejo que estás bem, já sei que o segundo vem a caminho.

- É verdade, sim. Nasce em julho.

- Parabéns.

Inês levanta o dedo, e com o olhar pede ao empregado que a sirva de mais um copo.

- Diz-me, por favor,

Ele olha-a sem indefinição agora. Olha-a demoradamente, com fome, surpresa e fúria.

- Porque foi mesmo que deixaste de me amar?

Pedro faz um esforço para se manter impassível e responde-lhe sorrindo:

- Porque não tinhas esse vestido, nem bebias champanhe.

Ela não se deixa intimidar pela graçola, não vai permitir desvios à conversa. Olha-o fixamente nos olhos aguardando a resposta.

_ Inês, por favor, já passou tanto tempo... além disso nota-se que estás muito bem, disseste na mensagem que ias embora, para onde vais mesmo?

- Eu insisto, Pedro. Não posso ir sem saber, eu mereço saber. Casaste, portanto, ao contrário do que me fizeste julgar, não foi por temeres as amarras de uma relação séria.

Ele desmancha a máscara irritando-se visivelmente, esforçando-se por se equilibrar na linha cortante que separa a raiva da vontade. O despontar de uma quase lágrima denuncia-o antes de falar:

- Queres mesmo saber?

Inês bebe mais um golo depois do empregado a servir, e espera que este se afaste da mesa. Lambe os lábios ancorada ao seu papel, deliciosamente lúcida do poder dos seus gestos. Assenta-lhe que sim com o olhar.

- Nada é mais desgastante do que amar quem não se ama, Inês. E o desgaste, eventualmente, mata.

Mata. Ou morre?

Então ela cai num enorme trambolhão daquele seu pedestal de fazedora de destinos, ainda que se mantenha impecável por de trás do seu batom.

 - Faz uma boa viagem. Desejo-te mesmo muitas felicidades.

Pedro levanta-se e deixa-a sozinha com o champanhe, o corpo bonito, e a alma acordada de um sono secular, dormente e liquido. Inês pede a conta, e sai do restaurante. Entra no carro, retira a lista da carteira, escreve um visto tremido em frente a "Confrontar Pedro". A mão treme-lhe, não lhe obedece ao comando. Depois a mão pega a sua irreverência ao resto de toda ela, e o corpo lança-se num tremor doloroso e frenético, até se verter num choro pesado, antigo e profundo. Inês chora em convulsão, derramando em água o rímel e aquela dor podre e fora de prazo.

Duvida de si mesma pela primeira vez nesse dia, sente raiva por perder a confiança que a trouxera até ali. Esmurra com força o volante do carro, esmurra com raiva e dor, até lhe doerem mais os punhos do que o peito.

Exausta, para e olha-se no espelho retrovisor. O reflexo é implacável e franco. Esborratada, cansada, hesitante.

Miserável nas mãos dos outros.

Retira da carteira toalhitas e limpa a maquilhagem da cara, devorada por aguçados pontos de interrogação.

Teria ela alguma vez amado? Se nem mesmo o corpo, preso às memórias escuras de menina, se deixara alguma vez verter inteiro e cego no impulso, poderá existir amor sem isso?

Inês tira os sapatos elegantes de salto alto e sai do carro descalça.

Caminha, então. Passa o restaurante, fino e elegante, passa a estrada e duas esplanadas seguindo em direção ao pinhal que antecede o caminho de terra batida junto ao mar. Caminha com a cabeça vazia das resoluções e indecisões, dos amores e desamores, da sentença de autopiedade que ela mesma se prescrevera. Caminha, apenas, dando missão à cabeça e ao corpo, fugindo daquela sensação fraturante de fracasso. Não encontra mais a força alegre na sua própria decisão, não encontra nada mais a não ser o impulso de andar para o mar. Consciente, ainda assim, do corpo que detém, da alma que lhe mora, do sangue que lhe corre. Os pés magoados e secos pela poeira do chão, doem-lhe, mas Inês já não lhes sente o aperto da elegância do salto alto.

Ouve, então, o rugido do mar ao fundo. Alarga o passo e cola toda a sua existência na beira da arriba.

_ Menina? Por favor pare!

Inês volta-se para trás, vazia da surpresa que deveria sentir. Vê um homem novo e ofegante uns passos atrás de si. Por breves instantes, quase se comove com a imagem aflita do homem pedindo-lhe para conversar. Mas Inês não ouve nada rodando o corpo na ponta dos pés, elevando os braços ao alto e a perna direita na direção ao abismo, elevando-se numa trágica coreografia perante o olhar desesperado do homem. Alguém que não a sabia, nem inteira nem vazia, um estranho, apenas, que tomara a decisão de a seguir.

Então, Inês afasta-se da arriba, puxa o laço do vestido e despe-se para ele. Não o deixa reagir ou se quer sentir, atirando-se nua nos seus braços. Exige-lhe com a boca e a voz, a carne e a vontade, a fome e o querer, dançando nele, entregando-se, pela primeira vez, ao sabor profundo e quente de não ter vergonha de si mesma. Com o mar chamando-a lá em baixo, Inês faz-se mulher na cumplicidade de dois corpos que se libertam da ironia da verdade ou consequência. Estreia-se, sentido dilacerante a miragem da possibilidade do que nunca foi, nunca quis, nunca teve.

O homem, agora deitado no chão, olha-a num misto de susto e fascínio.

Mas Inês não lhe permite a tomada de consciência, não lhe permite deixar de ser momento para ser alguém, e assim como se lançou nos braços exigindo-lhe o pulsar da vida, novamente se lança à canção do mar que ecoa no fundo da arriba.

_ Menina bonita, por favor, e o seu nome? Um homem não pode amar uma mulher sem nome…

Um nome. Bonita. Menina. Amar.

Inês sorri-lhe e reponde-lhe baixinho, mesmo antes de se lançar do penhasco:

_ Sou Vênus e vou-te contar um segredo. Afinal sou eu que não sei amar.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D