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Histórias avulso

Tempo

Junho 26, 2018

Tinham passado talvez três anos. Ou seriam quatro?

Pouco importa, também, saber o detalhe do tempo que passou, o tempo, aliás, que deixou de lhe regrar a vida acumulando segundos no tic tac do relógio.

Esta fora a sua decisão quando, há três anos atrás,

ou seriam 4?...

esmagou o relógio de pulso com o salto do sapato, largou tudo,

casa, coisas, pessoas, amores

e foi embora.

 

Os dias de chuva miúda trazem consigo aquele tipo de tristeza perigosa para se tomarem decisões. E foi ao som da chuva dengosa, lambendo-lhe em súplica os vidros da janela, que colocou num saco pertences básicos e aleatórios,

uma camisola, uma moldura encerrando um beijo, um maço de notas, e uma pequena caixa azul que lhe encerrava memórias antigas,

e saiu.

Partiu.

Fugiu.

 

Agora vê vida em jeito de pausa, cantando de novo na janela. E o tempo que, mesmo deixando de badalar nos ponteiros do relógio, continuou batendo-lhe forte no peito. Envolvendo-a, mole e sedutor como lençol de cetim, na inevitabilidade das coisas.

Levanta-se da cadeira e olha a janela.

O mundo fica abstrato olhado pela lente das lágrimas do céu,

ou seriam as suas embaciando-lhe a versão da sua história?

 

É por isso que não se tomam decisões em dias de chuva miúda.

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