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Sabores

por Ana sem saltos, em 25.05.18


- Podia dizer-te tanta coisa agora. Mas por mais incrível que pareça, ainda está para nascer o Camões capaz de criar as palavras que te digam tudo aquilo que te podia dizer.

 

- Bem sei minha querida.

- Vamos então não falar?

- Vamos sim.

- E dás-me a tua mão?

 

Abre-se no céu escuro uma brecha absurda de luz. O sol derrete o ar, a nuvem, a ânsia. Cai estatelado na mão que não me dás.

 

Ficamos assim, então. 
Sorris-me.

 

Eu levanto-me e trago cá dentro um tumulto inteiro, revolução suprema de ser, sentir e querer. Mas tenho esperança, a cima de tudo, e a esperança sempre foi o meu norte.

Levantas-te também. Baixas-me o olhar em jeito de adeus e esperas que eu saia.

Junto todas as minhas forças, todas as minhas lágrimas e sorrisos, alma que sou, e tu sabes que sou. 
Faço enorme cordilheira de toda a minha vontade, de toda a minha pessoa inteira. 
Sigo, então, o meu caminho. 
Uma perna depois da outra.
Nos passos que me levam. 
Daqui. Para ali. 
Direita. 
Senhora de mim. 
Impecável.

Desmorona-se um mundo de medos e receios, sou senhora do meu destino, bem sei, mas à noite viro menina perdida .

Vale-me a minha ursa maior, agregado de estrelas, Vênus e Martes, centenas deles alinhados só para mim. E ali está ela, a luz sagrada da esperança que me guia.

A vida vem aí, pressinto-a. Sabe a sol, sal e amor. E esse será também o teu sabor.

 

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