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Histórias avulso

"Olho por olho e o mundo acabará cego"*

Novembro 02, 2018

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Visto do lado de cá do atlântico, neste pequeno e pacífico país à beira mar plantado, é muito fácil julgarmos as decisões que um povo inteiro toma do lado de lá do oceano. Na minha pequena e segura realidade, não consigo conceber a ideia de uma criança saber disparar uma arma. Ando na rua e não tenho medo o fazer apenas por ser mulher.

Há muitas coisas que eu não sei e, por isso, e com a devida prudência, procuro abster-me de julgamentos. Até porque, e vejamos o que nos conta a história, o medo, o orgulho ferido, a destruição de uma nação, conseguiram eleger um Hitler. Oiçam os discursos dele e a reação do povo às suas palavras. Caramba era só um homenzinho baixo e dono de um bigode ridículo aos berros, e ainda assim, mergulhadas na desesperança de um pós guerra, as pessoas transformavam-se embebidas numa histeria coletiva. Assustadora vista aos olho de hoje, porque acredito que naquele momento o que as pessoas sentiam dentro de si, era esperança outra vez.

O medo e a derrota transformam-nos.

O que sei, ou pelo menos quero acreditar, e é nesse pressuposto que tento educar os meus filhos, é que a violência não se cura com violência. E um discurso que inflame ódios, que vá aos receios e preconceitos de cada um,

Como ouvi dizer, num circulo bastante próximo, agora é que vai ser, o brasil vai ficar limpinho de paneleiros. 

um discurso que provoque nas pessoas a revolta, o ódio, o olho por olho, dente por dente, só agoira coisas tristes.

Acabar com a bandidagem parece-me um princípio correto. O problema é o que é que Bolsonaro considera bandido. E o que é que é bandido para cada um daqueles brasileiros, que aparentemente, poderão vir a ter licença para usar armas.

A alma humana é uma manto infinito e imprevisível, e ignorante é aquele que acha que sabe sempre como reagiria perante as adversidades da vida. Olhando para a repetição dos factos é fácil perceber a força das massas quando espicaçadas pelas razões erradas.

Aflige-me algumas das barbaridades que já ouvi de pessoas que sei que são boas, aflige-me o que o cansaço e a desesperança provocam, e mais me aflige que essas pessoas - cansadas, desiludidas e à procura de uma nova esperança -  se unam e procurem acabar com essa desespero de alma de forma cega. A crueldade nasce no coração de um homem num minúsculo ápice, principalmente quando a individualidade se perde numa enorme massa zangada.

Bem sei que sou romântica,

há dores que não provei e que não quero vir a provar,

mas porque será que não vemos mais vezes a repetição de um Gandhi, ou de um Cristo – cristianismos à parte?

Porque é que é tão mais fácil seguir um

_ Mata.

Em vez de um

_Ama. ?

Não sei. E isto é apenas um blogue de histórias. Voltemos a elas que lá fora chove a cântaros.

 

*Mahatma Gandhi

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