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Histórias avulso

Obrigada.

Julho 17, 2017

De tempos a tempos era assim que fazia. Em recebendo as primeiras ameaças de descalabro, naqueles dias em que nada conjuga, os segundos não se alinham, o fio condutor das coisas e da vida estoira em bomba invisível, fazia tão somente assim:

Para [do verbo parar].

 

Primeiro o corpo, parado numa qualquer posição, braços para baixo, ar travado no peito, olhos focados no último segundo que lhe virou a alma.

Depois a cabeça. Enorme barragem ao rio furioso e descontrolado de pensamentos, todos entupidos ali, apena por uns momentos.

 

E, então, o maravilhoso vazio. O tão apreciado silêncio.

Só assim, parado o tempo e a velocidade dos segundos, parado o olhar naquela que foi a última gota de água, parado o corpo em jeito de pausa, sem ar nem para dentro, nem para fora,

só então,

 

ouve em chilrear de passarinho, o coração ao fundo, em jeito breve de onda de verão, cheiro a lar e flor de jasmim.

Desculpa se me esqueço de ti...

 

E ele fala, baixinho, muito baixinho, mas fala, sempre.

Sábio é aquele que sabe parar só para me escutar.

 

E agora sim, já podes, expira, abre as portas à barragem, deixa ir o rio, fecha os olhos e bebe o escuro, cai de joelho no chão, ainda que doa, muito, mais do que parece suportável, e agradece.

Agradece tudo.

Agrade sempre.

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