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Histórias avulso

Leitura dos confins do mundo

Janeiro 30, 2018

Naquele tempo, a paisagem vestia-se apenas da estação que lhe era cabida.

O tempo era ordeiro e certeiro, dançando ao compasso que alinha os segundos em minutos, minutos em horas, horas em dias.

Tão bonito morder um dióspiro apenas quando ele cai de maduro no chão.

Não há sensação igual a ter queixo e pescoço pintados de sumo de dióspiro que caiu, findo o seu tempo em árvore adulta, no chão.

Bonito é também saber ver despidas as ramagens das árvores,

troncos erguidos procurando tocar o céu, sabendo que,

lá está,

no tempo devido, novo verde as vestirá.

 

O problema surge quando nos vestimos de deus,

mãe natureza,

ou estação de tempo,

e queremos, porque queremos, morder morangos em dezembro,

deixando apodrecer os dióspiros no chão.

 

Somos crianças em birra constante,

centradas, vidradas no presente do verbo querer.

Morder morangos em dezembro é só ilusão de verão.

Não tem a explosão quente de sabor a vermelho,

claro que não.

É só uma versão aguada e encarnada de fruta mentira sem pé, nem chão.

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