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Lágrimas de céu, rainha sem destino

por Ana sem saltos, em 24.04.18

Olho a janela.

Montanha imensa ao fundo,

Atrás do vidro lambido pelas lágrimas dos anjos.

Penso no ontem desdobrado em música,

Timbre de mim em tons de infinito.

Ah amontoado de momentos e tempos

Perdidos na minha existência,

Acaso bruto sem início nem fim.

 

E deixo o céu chorar,

feita rainha benevolente,

chora, chora céu meu,

guardião de sonhos antigos,

protetor da fé e da esperança

pinta-me a história de vida

em quadros de aguarela chorada.

 

E do nada cresce uma raiva absurda,

e então não deixo,

ordeno, antes, que o céu chore.

Passo de benevolente a tirana,

Ciente e crente nas minhas vontades.

E agora chora, vamos,

chora em soluços e solavancos,

chora mundos e fundos,

despe-te de pudor, e chora,

despeja-me em fúria e gemidos

dilúvios de lágrimas de amor.

Mas chora, céu,

chora-me toda,

grita o mais escuro silêncio,

berra o mais gritante vazio,

e mostra-me,

sem vergonhas,

não a tua,

mas a minha dor.

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