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Histórias avulso

Amante de linhas

Julho 05, 2017

Sento-me na borda do muro, atiro os pés para a frente, largo-os ao acaso, como se os abandonasse, como se deixassem de ser meus.

E vejo-os, ali, no ar, balançando sem chão nem comando.

A hora é aquela que inspira os poetas a cravar o papel em tons de adeus. Luz morna e laranja, das que fazem das sombras enormes castelos.

Olho ao fundo o mar. Tão calmo e soberbo, tão infinito, na impossibilidade dos meus olhos lhe verem o fim.

 

Há mais além da linha do horizonte, ao fundo, recortando o mar em céu. Haverá com certeza mais, tem de haver, pois se todos os dias a vejo engolir o sol, sem pressas nem pudor.

Todos os dias igual, esta linha que come luz, todos os dias surpreendente naquilo que, ainda assim, é sempre diferente.

Dia,

após dia,

após dia.

 

Repete-se em mim a inevitabilidade do tempo.

E eu repito-me também,

é-me indiferente,

naquilo que vejo, serena, o tempo mudar em mim.

 

É assim, também, com o sonho que entorno,

sempre igual, naquilo que o torna diferente,

 

naquela linha perfeita que todos os dias devora o sol.

 

Apagam-se, então, as luzes. 

Já não há castelos de sombras.

Recolho os pés para cima, assumindo-os, novamente, como meus.

 

Sou amante assumida de linhas.

Principalmente das que se alimentam de luz.

 

 

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