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Sente, meu bem. É urgente.

por Ana sem saltos, em 20.02.17

Se pudesses escolher agora, neste preciso momento, o passado, o presente ou o futuro, o que escolherias para ti?

 

Sentou-se de pernas cruzadas no chão, bem perto da lareira. Olha o fogo que queima a lenha, a combustão furiosa que só existe destruindo. A inevitabilidade da interrogação cortando-lhe o mote de vida,

sente.

é urgente,

sente.

 

Na verdade, nunca foi boa nesta sapiência de colocar razão à vida, à esperança, ao sonho, à expectativa. Ainda assim, assaltam-lhe por vezes dúvidas, e as dúvidas são questões que exigem, se não resposta, pelo menos uma reflexão.

Alimenta o fogo, oferecendo-lhe mais um tronco. A chama eleva-se, luminosa e vaidosa. Saciada.

E a pergunta do fundo de si:

passado, presente, ou futuro?

 

Passados tem vários, mas existem alguns que se impõem. Se fechar os olhos consegue ver, uma a uma, as histórias do seu livro de vida. O acumulado dos minutos aos milhares, construindo-a, moldando-a, fazendo-a

de sorrisos, lágrimas, vidas inteiras numa história só.

 

Prende-se a memória aos momentos que foi sem respirar, que se sentiu mais viva.

Sorri.

 

Lembra-se do que a avó lhe dizia em criança: vais saber que foste feliz se, quando olhares para trás, não te arrependeres das escolhas que fizeste para ti.

Então e aqueles momentos em que a vida não nos dá escolhas e empurra-nos para a frente, num salto no vazio, urgente e às cegas?

 

Presente há um, e esse sem escolha. Inevitável na vivência, desprezando-lhe a urgência. Se fechar os olhos, consegue sentir de forma plena e absoluta esse presente transformando-se em passado,

segundo a segundo, pousando nas páginas do seu livro de histórias.

 

Sorri.

Passado e presente, num raro momento de união, ali na luz vermelha do fogo.

 

Escolhe para ti: passado, presente ou futuro?

 

No futuro mora a esperança. O futuro, tem-lhe a expectativa, dela, a mulher que sente e sonha de forma urgente.

Abre os olhos. Olha a chama morta na brasa laranja.

Sorri.

E de repente, sabe de uma forma muito certa e segura,

sabe, sabendo-se muito sábia,

que os momentos que vive no agora, acresentam cores e sabores aos que, página a página, escreve no ontem.

E esses, valem mais, muito mais, do que qualquer

[doce, docíssima, urgente, expectante]
 

antecipação.

 

Sente.

Sente que é urgente,

sente sempre,

sente tudo,

sente até ao fim.

Sente porque o futuro não te pertence

e é sentindo o agora fazes a tua história.

 

 

 

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