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Saudade

por Ana sem saltos, em 25.01.17

Naquela manhã, morna e suave, despertou antes ainda dos pardais. Levantou-se surpresa com a sensação que há tantos anos não vivia. A memória a trazer-lhe de volta o estômago embrulhado, o ar de três mundos sem ser suficiente para acalmar uma ansiedade doce e quente.

Levantou-se, saiu e sentou-se no jardim, vendo o dia nascer, tão devagar como a vida de antes lhe passou. Agora era tudo rápido, mas, houve um dia, em que os segundos se uniram, multiplicando os minutos em várias parcelas infinitas. Cada uma com uma história começada, mas sem tempo de lhe conhecer o fim.

Tantos anos passados, e agora, ali sentada, naquela manhã morna e suave, sentia novamente o infinito de outrora.

Deixou cair a lágrima que sempre lhe foi fácil, e expirou finalmente. Sai o ar e a dor, leve e pequenina, desata-se o nó no estômago, solta a memória do ontem atropelado no hoje. A memória incompleta, atada ao presente, tão bom e feliz, perdida no sonho de um tempo que sem viver, viveu para sempre.

- Bom dia meu amor.

Olha para trás, e sorri.

- Queres que te traga o café?

- Traz sim por favor. Já vou ao pão.

 

A lembrança do que não viveu, eternizada na lágrima, no sorriso, e em cada ruga que o desdobrar dos hojes lhe deu.

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