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Desacreditar

por Ana sem saltos, em 09.02.17

Não acredito em nós... É isso. Não acredito mais em nós.
As coisas não são simples, sabes? Queria eu explicar-te da mesma forma que se explica que um mais um dá dois, mas acontece que, em mim, essa soma dá um milhão. E se o positivo roça o infinito, também o negativo me afunda. E eu perco-me numa subtração que não acaba nunca.

Não me olhes assim...

O meu desacreditar, em contraste bruto com a tua forma simples de fé, foi o que nos uniu primeiro, lembras-te?

Atraiu-me essa tua ingenuidade pura, essa tua entrega morna e suave ao que tem de vir sem o nosso comando.

E eu, em guerra aberta, sempre, com o teu destino traçado, impondo a razão e a vontade, o controlo na lágrima e coração.

Apaixonei-me, assim, desmesuradamente por ti. Tive esperança, talvez, de poder entregar-me ao desenrolar da vida como tu fazes, de olhos fechados e mãos e coração abertos. À tua prontidão, forte e faminta, para receber. À tua entrega, plena e absoluta, quando te dás.

Acabámos, inevitavelmente, por nos unir, fundir, colar de forma louca e desesperada.

Mas era evidente nunca seria assim. A escuridão que há em mim, a razão que me bebe a fé e a entrega, não parece, mas é tão potente como a tua fome.

E a minha descrença e desconfiança em tudo... em tudo não, é verdade... mas a minha escuridão profunda, acabou por te beber a luz, que, agora, se apaga em mim.

Olho-te à distância de milímetros, vejo as lágrimas que desprendes de ti, sei que sou duro e te magoo, mas sei também que, ao contrário de mim, nada é irremediável em ti.

Fecho, por isso, a porta.

Não é que não te ame perdidamente, minha flor. Só que não acredito mais em nós.

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